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Piracicaba
Professor e membro da Assessoria de Comunicação da Diocese de Piracicaba
A glorificação da pessoa humana
Neste domingo, a Igreja celebra a assunção de Maria. Esta verdade de fé foi proclamada em 1950, pelo Papa Pio XII, através da Constituição Apostólica ”Munificentissimus Deus”, afirmando que a Mãe de Jesus, “terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste.”
A assunção é a digna glorificação da Mãe de Deus. Ela, preservada imune de toda mancha da culpa original, sempre dócil à Palavra de Deus, que acompanhou os passos de seu divino filho, que estava presente aos pés da cruz e na ressurreição, foi com Ele glorificada no céu. Como afirma o Papa Paulo VI, “é a festa do seu destino de plenitude e de bem-aventurança; é a festa da glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal; é a festa da sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado.”
A glorificação de Maria é o sinal da realização plena a que todos somos chamados. Ela é a primeira discípula do Senhor que no céu está ao lado de Deus em toda a sua pessoa – corpo e alma – como prenúncio e garantia da realização de todos nós.
Celebrar a assunção de Nossa Senhora é também proclamar a grandeza e a dignidade da pessoa humana integral, corpo e alma. A pessoa não é uma realidade dicotômica, mas uma unidade. Por isso o homem em todas as suas dimensões precisa ser respeitado e valorizado. Todo o homem – corpo e alma – é filho de Deus, criado à sua imagem e semelhança. Portanto a missão da Igreja é a salvação de todos os homens e do homem todo.
Nessa perspectiva, entende-se a preocupação da Igreja com a libertação do homem, nas suas dimensões espiritual, física, psicológica, econômica, cultural, social. A Igreja, para ser fiel a seu Fundador, tem que se empenhar pela salvação total da pessoa. A vida cristã, portanto, não pode se reduzir a devocionismos e sentimentalismos, mas assumir uma espiritualidade encarnada e comprometida com a libertação integral.
Maria elevada ao céu em corpo e alma nos encoraja a viver um cristianismo engajado na luta pela construção de uma sociedade justa e fraterna, em que homens e mulheres sejam respeitados em sua dignidade de filhos de Deus. A glorificação que ela já recebeu é a garantia de que também nós receberemos. E essa glorificação se inicia já neste mundo, na medida em que nos empenhamos para que em todas as pessoas resplandeça a imagem e semelhança de Deus.
Esse compromisso deve nos levar à luta pela justiça social, pela construção de um mundo novo, numa clara opção pelos pobres e excluídos, que são os filhos prediletos de Maria. Pois no seu cântico continua nos recordando de que lado Deus e ela estão: “Derruba dos tronos os poderosos e eleva os humildes: aos famintos enche de bens e despede os ricos de mãos vazias.” (Lucas 1, 52-53)
Maria elevada ao céu é a mulher que viveu plenamente sua feminilidade. Mulher pobre, da periferia, que viveu a migração e a exclusão. É a mãe terna que ampara e protege seus filhos. Em sua missão materna sempre nos aconselha para que sejamos fiéis a Jesus: “Fazei tudo o que ele vos disser.”(João 2, 5) E o Papa João Paulo II reafirma: “Maria anima a Igreja e os fiéis a cumprir sempre a vontade do Pai, manifestada em Cristo. As palavras dirigidas aos serventes no milagre de Caná, ressoam em cada geração.” Ela nos convida a compartilhar de sua glória e, vivendo o evangelho de seu Filho, revelar a grandeza da pessoa humana que, em corpo e alma, é chamada à felicidade e à realização plena.