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Santo Antônio, o nosso padroeiro
A Diocese de Piracicaba comemorou ontem 65 anos. Criada pelo papa Pio 12 em fevereiro de 1944, sua instalação solene ocorreu no dia 11 de junho. E amanhã celebramos a festa de santo Antônio, padroeiro de Piracicaba desde os primórdios de sua história e também padroeiro da nossa diocese, proclamado pelo papa João Paulo 2º em 2 de janeiro de 1988. Por isso quero tecer algumas considerações sobre a vida desse grande santo.
Adolescente, aos 15 anos ingressou no mosteiro dos monges agostinianos, nas proximidades de Lisboa, sua cidade natal. Mas, em seguida, solicitou sua transferência para Coimbra, buscando maior liberdade diante das influências da família e dos amigos. Dedicou-se intensamente ao estudo da Palavra de Deus, procurando aprofundar-se nela.
Certamente em seu coração havia muitas interrogações, a tal ponto que, tendo entrado em contato com um grupo de franciscanos estabelecidos nos arredores de Coimbra, decidiu tornar-se franciscano. Empolgado com o ideal de ser missionário, foi para Marrocos. No entanto a vida o levou para outros horizontes.
Na Itália teve um tempo de espera no eremitério de Montepaulo, como que reunindo suas energias para lançar-se em um mutirão de evangelização ao norte da Itália e sul da França. Essa busca dos caminhos imprevisíveis de Deus foi sem dúvida uma característica importante de sua vida.
Outro aspecto que deve ser destacado é o conhecimento que ele cultivou especialmente das coisas de Deus. Introduziu o estudo teológico entre os franciscanos. Escreveu os Sermões, um conjunto de indicações para ajudar os pregadores. Incentivou a formação, especialmente bíblica, para mostrar aos hereges daquele tempo a doutrina verdadeira na fé. Um terceiro aspecto que gostaria de salientar, também, é o da firmeza em combater os poderosos que agiam injustamente; foi conversar com o violento chefe de Verona, Ezzelino de Romano, para conseguir a libertação de pessoas.
Apesar de um volume tão grande de trabalho, jamais deixou de lado a oração, o contato com Deus, o cultivo da espiritualidade. Ao mesmo tempo, notável foi sua dedicação ao povo, às pessoas desamparadas, aos simples e humildes. Tornou-se admirado e querido em função de todas essas qualidades.
Santo Antônio viveu o seguimento de Cristo. Tomando em consideração o seu "jeito", podemos desencadear em nós um processo de aprofundamento da fé: o santo torna-se, assim, inspiração de nossa caminhada!
Nosso padroeiro é um dos santos mais populares. No mundo inteiro, entre os católicos (e até entre os muçulmanos na Turquia) encontramos a devoção a ele presente no coração das pessoas e das famílias. Também no Brasil constatamos tal fato.
Certamente a devoção foi alimentada, ao longo dos séculos, pela atração que a figura de santo Antônio exerceu: foi alguém que amou o povo, pois dedicou seu tempo, suas atenções e sua ajuda aos mais desprotegidos da sociedade. As pessoas perceberam nele o carinho pelos necessitados de amparo, por isso constatamos que muitos cultivam amor ao santo, considerando-o um amigo e protetor.
Nesta reflexão sobre santo Antônio, gostaria de fazer uma ligação com minha vida. Ele sempre foi uma grande bênção para minha caminhada. Aprendi a amá-lo desde a infância, pois desde pequeno freqüentava os santuários antonianos, localizados a apenas 1,5 quilômetro de minha casa, lá na Itália. Na basílica em que o grande santo está sepultado, fiz minha profissão religiosa solene e fui ordenado sacerdote.
Aqui no Brasil, após ter sido nomeado bispo, assumi a nova diocese de Caraguatatuba, que originariamente se chamava "Vila Santo Antônio de Caraguatatuba"; a matriz dessa cidade é dedicada ao santo. Quando passei a ser bispo de Piracicaba, achei surpreendente o fato de a catedral e a própria diocese terem santo Antônio como padroeiro.
A meu ver, nada acontece por acaso. Em tudo isso há o dedo de Deus. Julgo um privilégio e um compromisso ter compartilhado minha vida com santo Antônio. Esse privilégio me estimula a cultivar o compromisso de amá-lo, conhecer sua vida e sua obra e imitá-lo no dia a dia. Sou grato a Deus por tudo.
Celebrando a festa de nosso padroeiro, peço-lhe que interceda junto a Deus por todos os seus devotos e pela nossa diocese que comemora 65 anos de vida e missão. Que sua vida seja uma luz em nossa caminhada na construção do reino de Deus.