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Desertificação da vida
Estamos assistindo (e participando?) a um grave processo de desertificação, de desumanização da vida.
Leio o jornal. O tema do dia, de novo, são as células-tronco. Fala-se do embrião como um "punhado", um "aglomerado", um "bolo" de células. Você já pensou acerca de você mesmo que, quando ainda recém-concebido, você não passava de um punhado, um aglomerado, um bolo de células?!
Os meios de comunicação falam da posição da Igreja. Mas de onde vem esta gana de atribuir à Igreja uma posição que ela não tem, dizendo que ela é contrária às pesquisas com as células-tronco, quando a Igreja só é contrária às pesquisas com as células-tronco embrionárias, isto é, com aquelas pesquisas que sacrificam um embrião, que é vida humana?
Vejo a foto do jornal: pessoas vestindo camiseta com a escrita: "A favor da vida". Não é sofisticar demais defender o sacrifício de embriões com o pretexto de salvar vidas? "Mors tua vita mea!" diziam os antigos, isto é, "tua morte é minha vida", o que significa "morra você para que eu viva".
Na nossa legislação, células-tronco embrionárias e soja são tratadas juntas. Uma fineza intelectual notável, nova e surpreendente! Pois sempre ensinaram que não se pode somar junto batata e feijão, mas que cada elemento tem que ser somado separadamente... Talvez se trate de uma nova e extraordinária iluminação, de particular profundidade e competência...
O noticiário entrevista ainda uma ilustre catedrática, a qual afirma euforicamente que finalmente saímos da Idade Média e ingressamos na modernidade! Bem que se poderia esperar de uma intelectual um conhecimento mais elaborado das coisas, pois, se Idade Média significa são Francisco e modernidade doutor Mengele (médico nazista que no campo de concentração fez experiências médico-científicas em milhares de pessoas e centenas de gêmeos), prefiro ser medieval!
Assisto ao noticiário local. O assunto é "pílula do dia seguinte", agora distribuída gratuitamente. Na entrevista, a ginecóloga nega enfaticamente que a tal pílula seja abortiva. A honestidade radical sempre foi uma das características e glórias da ciência. A nossa cientista, porém, nos engana com um subterfúgio; ela recorre ao conceito especialísticotécnico de que só pode haver aborto de um feto e que o embrião não é feto, portanto não há aborto. Mas ela bem sabe que a pílula do dia seguinte impede o aninhamento do embrião no útero; ela está esquecida que, para todo brasileiro, aborto é simplesmente a interrupção de uma vida iniciada, tenha ela o nome de blastocisto ou feto ou outro nome "técnico" qualquer.
Nessas questões, acontecimentos e posturas, valores fundamentais estão sendo esquecidos ou diretamente rechaçados. É a desertificação, a desumanização da vida acontecendo. Ela está acontecendo não somente nas questões ligadas à origem da vida, mas também na família, na juventude, na política, na escola, na religião...
Diante da desgraça e do sofrimento da Terra, num mundo já desumanizado e que se desumaniza sempre mais, ser cristão, ser seguidor de Jesus Cristo significa aplicar todos os esforços, todas as energias para ajudar, para sarar, para aliviar o sofrimento, sem no entanto deixar de contribuir decididamente para que diminua a desumanização e desertificação que estão acontecendo em toda parte.