Histórico
Bispos Diocesanos
Cura da Catedral
Órgão de tubos
Divino Espírito Santo
Nsa. Senhora Aparecida
São Benedito
Leia e ouça
Aprenda a Rezar o Terço
Vaticano
CNBB
Diocese de Piracicaba
Igreja Bom Jesus
Comunidade São José
Piracicaba
Bispo emérito de Piracicaba
Um exemplo de cristão
Ao longo de minha vida consagrada a Deus, 61 anos de padre e 37 de bispo, Deus, no seu amor, colocou sempre, no caminho de minha missão, leigos cristãos com grande disponibilidade para o serviço do Evangelho. Além de terem consciência da sua ação na presença da Igreja no mundo, acudiam-se, de modo corresponsável, nas atividades do meu pastoreio.
Quero fazer memória – e faço com gratidão – de Antônio Ferraz do Canto, cujo testemunho de vida mereceu inestimável apreço de quantos o conheceram. Bem disse o papa Paulo VI. “O homem contemporâneo escuta, com melhor boa vontade, as testemunhas do que os mestres e se escuta os mestres é porque são testemunhas. Durante meu tempo de bispo de Piracicaba, ele esteve do meu lado acompanhado de sua esposa, Maria Berchmans, contribuindo ativamente no meu ministério pastoral. Com uma morte santa, aos 11 de janeiro deste ano, como santa foi sua vida, dele pode-se dizer com palavras da Escritura. “ A memória do justo não fica no esquecimento”. A gratidão que lhe devo impõe-me fazer memória de alguns fatos relevantes.
Em minha posse como bispo de Piracicaba, em 28 de fevereiro de 1980, ao final da celebração da missa, esse casal recém-chegados de São Paulo apresentou-se na fila de cumprimentos pondo-se à disposição para colaborar na pastoral. Voltava a morar na sua cidade de origem, após Antônio do Canto ter-se aposentado da gerência do Banco do Brasil. Propus-lhe que viesse falar comigo dentro de um mês. Fez-me revisão de seu trabalho realizado na sua paróquia de Nossa Senhora da Pompéia. Percebi neles o desejo de continuar a doarem-se ao próximo de modo particular no campo social. Fez-me lembrar de um belo pensamento de Tolstoi: “Na vida existe somente um modo de ser feliz; viver para os outros”.
O primeiro convite feito por mim a eles, mas sugerido por eles, foi de trazer para Piracicaba o Encontro de Casais com Cristo (ECC) que, em pouco tempo, alastrou-se pelas comunidades. Sempre que me vinha a inspiração de implantar nova experiência pastoral contava com a pronta boa vontade do casal. Em 1981, diante da situação de adolescentes envolvidos em crime, veio-me a ideia de criar o Serviço de Apoio ao Menor Infrator (Seame). Hoje, ao invés, prefere-se dizer: “Adolescente com Medidas Socioeducativas” , obra ligada a antiga Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor). Atualmente tem o nome de Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente). A originalidade da obra, aqui na diocese, consiste na visita de casais voluntários que acompanhariam, não no sentido assistencialista, as famílias dos adolescentes com liberdade assistida sob os cuidados do Juizado de menores. O casal foi dos primeiros a fazer a experiências. Impressionava-me o empenho e a alegria com que se dedicava nessa missão. O Seame completa, este ano, 30 anos de lutas e êxitos que só explicam pelo amor e pela generosidade das pessoas que optaram por esse não fácil serviço ao próximo.
Quando se iniciou a pastoral da Criança, em 1987, a ela encarregou-se o casal Canto e Bergue de corpo e alma, tornando-a sua paixão. A residência deles ficou sendo a sede das reuniões semanais da coordenação onde tudo se planejava junto às lideranças maiores. Lá, ao visitar-nos, de quando em vez, hospedava-se Zilda Arns, inspiradora da obra. A pastoral da Criança teve forte influência na redução da mortalidade infantil. Nossa diocese, compreendendo 15 municípios, conta no presente com mais de 1000 líderes comunitários e 55 capacitadores atendendo 750 mil famílias e 350 gestantes. Os números falam por si, e mais alto fala o amor com que se inflamam os corações. A beata Teresa de Calcutá, mãe dos pobres e abandonados, faz-nos compreender a grandeza de uma obra como essa: “ É a intensidade do amor que colocamos em nossos gestos que os tornam algo especial para Deus e para o próximo!”
Em 1988, surgiu a pastoral do Serviço da Caridade (Pasca), que recebeu de Antônio do Canto muito carinho. É uma entidade responsável juridicamente pelos trabalhos sociais da diocese cujo estatuto, pensado e elaborado com a elaboração de Antônio do Canto, responde às exigências para tornar-se utilidade pública sem fins lucrativos. Qualquer obra social de uma paróquia que se filie a ela passa a ter mesmos direitos. O segredo dos bons resultados alcançados por Antônio do Canto em suas atividades pastorais e sociais encontramos nas palavras do apóstolo Paulo: “Deus é testemunha que nunca fui levado pelo interesse”. (TS 2,5). Essa foi a marca de sua vida de doação ao próximo configurada nas três bem aventuranças proclamadas no Evangelho, dignas medalhas “post-mortem”: “fome e sede de justiça”, “misericórdia” e “pureza de coração”.