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A responsabilidade dos partidos políticos
O Congresso Nacional, chamado também Parlamento Federal, um dos três Poderes do regimento democrático, tem papel relevante na vida da nação e do cidadão. Depreciá-lo ou ele mesmo não estar à altura de sua função constitucional é colocar em perigo a própria democracia.
Costuma-se dizer e com razão: política sem ética é verdadeira calamidade. A origem desse desastre, os maiores responsáveis, são os partidos políticos. Cabe a eles selecionar e oferecer candidatos ao eleitorado. O que mais se ouve dizer: “O povo vota mal”. Penso que o certo é é dizer: os partidos indicam candidatos sem consciência do bem comum, dificultando os eleitores, o discernimento. O erro está onde tudo começa : na lista dos candidatos.
O que tem sido mais difícil realizar, embora de maior urgência e prioridade, é a reforma política e eleitoral, em grande parte, obstruída pelo corporativismo. O melhor que já se fez, nesse sentido, foi a lei da Ficha Limpa, que não nasceu de dentro do congresso. É fruto da iniciativa popular. Infelizmente ainda não é suficiente para se conseguir ficar livre de menos gente desqualificada se elegendo.
A política sustenta-se sobre duas vigas mestres: o bem comum e o cidadão. Em sua obra Pequena Enciclopédia da Doutrina Social da Igreja, padre Fernando Bastos D’Avila, assim define, bem comum:”Conjunto de condições concretas que permitem a todos os membros de uma comunidade atingir um nível de vida à altura da dignidade da pessoa humana”. É o patrimônio comum de todos. O Estado é responsável pelo bem comum que é, ao mesmo tempo, sua razão de ser. O Estado pode tudo aquilo e só aquilo que é necessário para o bem comum. Votar bem é escolher candidatos que coloquem obem comum acima de qualquer interesse. Quem se considera cidadão não faz declarações como esta: “Eu não gosto de política”. Talvez tenha razão ao se referir à “politicagem”, que é não ter consciência de que bem comum não se confunde com interesses pessoais e de grupos. Cidadão na sua plena realização é aquela pessoa que pratica seus deveres para com a pátria e que sabe fazer respeitar os direitos da sua dignidade como pessoa humana e colabora com a promoção do bem comum. São palavras do Concílio Vaticano 2º, na constituição “Somente uma educação cívica e política poderá garantir uma relação harmoniosa entre cidadãos e Estado.” (GS, 75)
Não se pode contestar a legitimidade da candidatura de qualquer cidadão no gozo de seus direitos cívicos. Daí não se conclui que ex-jogador de futebol, comediantes, cantores e celebridades que estejam surfando na glória passageira sejam escolhidos como candidatos por serem apenas bons puxadores de votos e estarem com vagas garantidas para a “renovação” de toda a Câmara de Deputados e de dois terços do Senado. Na verdade, são partidos a colaborar com eleitores a votarem mal. É o congresso sendo, cada vez mais, desacreditado e inexpressivo.
Dados recentes do TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) falam em 8 milhões de eleitores analfabetos e 18 milhões que se declaram saberem ler e escrever mas nunca pisaram em uma sala de aula. São analfabetos funcionais. Apesar de tudo, são eleitores. Os partidos políticos deveriam ter presente essa realidade e mais cuidado na apresentação de candiddatos. Parece, no entanto, preferirem seguir a filosofia do Chacrinha: “Eu vim para confundir, não para explicar!”
Lembro-me de ter lido na Folha de São Paulo, coluna Painel do Leitor, alguém defender a inclusão da disciplina educação política no currículo no currículo escolar de ensino médio. Boa proposta.
Creio que grande parte do eleitorado não tem hábitos de acompanhar a vida política dos país. Nas campanhas eleitorais, fica um pouco mais atento, de antena ligada, mas sem muita consciência crítica. É quando se torna mais sujeito a deixar-se conduzir por demagogias e marqueteiros. A vocação política consiste em zelar pelo bem comum é dever cívico ao qual nenhum cidadão pode furtar-se. Ninguém definiu melhor essa vocação que o papa Pio XI a mais de setenta anos: “A política é a melhor forma de fazer caridade”.
Caridade não se resume em assistencialismo, é amar, como Deus ama, com amor de doação sem medida e universal¹, sem excluir ninguém desse amor. Quem nos mostrou esse modo de Deus amar foi Jesus Cristo no oferecimento livre e fazendo a vontade do Pai, de sua vida na cruz pela salvação da humanidade. Assim Ele falou aos Seus discípulos: “Como o Pai me ama eu amo vocês, como eu amo vocês , amem seus irmãos”. Trabalhar pela promoção do bem comum, que é o bem de todos, é verdadeira caridade e a melhor forma de fazer política, a ser exercida por todo cidadão, é animada pelo amor da pátria.