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Jesus, rei e servo
Ao celebrarmos Cristo Rei,refletimos sobre a missão de Jesus que é rei pela sua humildade e pela sua doação. Essa celebração nos lembra dois aspectos importantes: Jesus-Rei e Jesus-Servo sofredor.
Duas idéias? Não, são duas atitudes de uma mesma pessoa,aparentemente inconciliáveis. Entretanto, à luz da fé cristã, elas se implicam mutuamente. Ao caminharem juntas fazem emergir a grandeza do Servo sofredor e o
pleno significado do reinado de Jesus: Rei manso e humilde.
Quando Jesus entrou em Jerusalém, a explosão popular foi grande. As multidões extasiadas viam nele o libertador político tão esperado. Na multiplicação dospães já o quiseram aclamar rei: “Mas Jesus percebeu que iam pegá-lo para fazê-lo rei. Então ele se retirou sozinho, de novo, para a montanha” (Jo 6,15).
No Pretório, frente a Pilatos, não nega ser rei mas deixa claro: “Meu reino não é deste mundo” (Jô18,36). Essas palavras são mal entendidas quando usadas para negar à Igreja o direito de envolver se com problemas terrenos. Antes, elas sublinham a bela lição que
Jesus deixou aos discípulos referente ao exercício abusivo do poder pelos governantes: com vocês não deve acontecer disputa de poder para dominar; mas o poder é para servir (Mc 10, 22-45). Rei humilde, uma figura quase estranha no imaginário humano.
Ao rei atribui-se poder, honra, glória, magnificência. Seu status é o ápice da pirâmide social. Jesus, como Filho de Deus, é o sentido de toda a criação: “Tudo foi feito por Ele” (Jo. 1, 3); no plano da salvação, “por meio dele, Deus reconciliou consigo toda a criação, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz” (Col. 1, 20).
O Apóstolo Paulo assim o apresenta na carta aos Filipenses (2, 6-8): “Jesus Cristo existindo como Deus não se apegou à sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo...
Apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo”. E acrescenta logo em seguida: “Foi por isso que Deus o exaltou... e o fez Senhor.”
Na sua entrada em Jerusalém, o povo também o exaltou. A contrastar com esse clima de espontâneo entusiasmo, ele vem montado num “jumentinho, cria de um animal de carga” (Mt 21,6). Não se conhece outro rei na história que tivesse caminhado em meio ao clamor de “hosanas” de modo tão humilde. Curiosos agitavam-se a perguntar: “Quem é ele?” As multidões respondiam: “É o profeta Jesus de Nazaré” (Mt 21,10-11).
Rei-Servo, eis o segredo do encantamento popular. Rei que não domina, Servo sempre movido pelo amor. Rei que sempre escondeu sua glória e privilegiou os gestos de humildade e serviço. Não só se solidarizou com os humildes deste mundo, mas se identificou com eles. A ninguém submeteu pelo poder, mas quis a todos conquistar pelo coração que foi transpassado pela lança. Sim, conquistou a todos porque se fez servo de todos. A celebração dessa solenidade nos convida a atendermos o convite de Paulo: “Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fl 2,5). Também nos convida a nos acercarmos aos outros, não pelos caminhos do poder, mas do serviço fraterno.